
Até tocar o céu.
Lembro-me daquele dia como se fosse ontem, eu queria subir bem alto, foi o senhor céu que me chamou...
Estava mais azul e mais convidativo do que nunca, as nuvens se abraçavam gordinhas no ar...
Era lindo, era lindo! Eu queria tanto poder tocá-las, peguei uma escada velha que meu pai guardava no porão, montei-a no quintal e comecei a subir...
A cada passo que eu dava, era um estalo na madeira e outro no coração, estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe...
Subi, subi até que cheguei ao ultimo degrau.
Era o fim da linha e eu não podia alcançar ainda, mas só faltava um pouquinho, um pouquinho...
Lembrei-me então!
Se eu abrir minhas asas, posso voar como os passarinhos...
Mas onde é que elas estão?
Foi quando pude ver...
Eram azuis e bem grandes...
Eu estava pronta...
Fechei os olhos e por um momento senti meu peito inflar de felicidade
Era hora! Eu ia voar e então poderia tocar o céu... Meu amigo céu.
Mas não cheguei a dar um passo a frente, minha mãe gritou:
“Meninaaaaaaaa! Você vai caair! Não tem asas, não pode voar!”.
Desse dia em diante, eu nunca mais tentei tocar o céu...
Minhas asas sumiram e eu não podia mais voar.
Muitas outras crianças ainda conseguiam, mas eu? Eu não...
Eu nunca mais acreditei que fosse capaz...
Comecei então a odiar com todas as minhas forças a gravidade e a desejar cada dia mais abraçar meu amigo céu.
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