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Uma nova Cartola, para novas palavras mágicas!

 

 

Pare de brincar de poeta!
Tua vida já é uma flor de poesias
Um amor e uma dor em cada pétala.

 

 

A arte sobre a arte.

 

Doce

Para quem pode percebê-la doce

Saborosa

Para quem conhece o gosto

Amarga e rude

Ruge! Ficara fera para quem quiser domá-la...

Quem sabe ou quer saber da arte

Encontra  ela  no samba de roda

na gaita miúda e no fogo que salta da fogueira...

Tem gente que leva pra vida inteira

E tem quem só encontra na morte.

Borrão de tinta, marca de batom, resto de carvão e o que sobrou da obra

A arte é pra quem vive o agora e se adormece com esse encanto lindo.

Para o feliz não desistir da poesia.

Não há poesia que seja triste

Quem dirá louca ou apaixonada...

O poeta é que faz das linhas mal traçadas

Uma ponte para o seu pesar.

Por isso,

Venho cá defender o poeta,

Que vez ou outra até se finge,

Pra que das notas musicais de alegria em sua boca

Deslize um choro de uma poesia triste.

 

Enganado o homem que acredita

Que de uma vida alegre não sai prosa

Pois por mim mesma vos digo:

Pode haver mais palavras em um sorriso

Que em mil noites de solidão.

 

O apanhador de ilusões.

 

 

Os cabelos molhados escorriam pelo seu rosto, podia sentir as gotas da chuva engrossar a cada passo que dava, estava a poucos quarteirões de sua casa, mas com a rua alagada era quase impossível chegar sem que precisasse nadar até o outro lado.

Resolveu por esperar a chuva passar; o primeiro lugar que seus olhos fitaram, foi uma pequena loja de antiguidades a poucos passos, cuja fachada exibia um mal iluminado e antigo letreiro, com os dizeres: A lâmpada mágica – Raridades.

 Com medo de quebrar o silêncio oco do ambiente, fechou a porta às suas costas com suavidade; o lugar era iluminado apenas por uma lâmpada, uma luz fraca que trepidava no teto. Caminhou lentamente entre as prateleiras ,que sustentavam de porcelanas a coisas nunca antes vistas por ela. Havia diversos objetos excêntricos no lugar, mas os olhos de Catherine se fixaram em. um especial... Era uma espécie de apanhador de sonhos, adornado com algumas pedrinhas cristalinas, no centro, uma pedra maior , também cristalina, mas essa cintilava estranhamente. Chegou mais perto... Pôde ver seus olhos refletidos, pareciam vibrar com o brilho , afastou-se um pouco mais, viu seu rosto inteiro, percebeu que seus lábios tinham um sorriso desconhecido, como se fosse o de outra pessoa, sentiu um calafrio... Por um momento, teve a impressão de estar maior, mas logo em seguida sentiu-se mínima e frágil... Seus olhos no reflexo brilhavam nitidamente,seu rosto tinha um ar brincalhão, quase debochado... Por um segundo sentiu-se confusa e fraca, mas a sensação logo foi substituída por uma vontade súbita de fechar os olhos, estava parada em frente a um objeto simples , como outro qualquer, mas era como se soubesse as respostas para todas as perguntas do universo... Sentiu-se cheia de algo que não sabia o que era, mas que dava a ela uma vontade especial de viver.

_ É melhor tirar os olhos daí... _ Uma voz masculina quebrou o silêncio de repente.

Catherine assustou-se, piscou os olhos como se tivesse acabado de acordar...

O homem se aproximou calmamente... Seus olhos escuros passavam confiança ...continuou...

_ Ou se perderá pra sempre em teus pensamentos...

Catherine sorriu sem graça...

_ Falo sério, encantamos-nos facilmente com coisas mínimas , de brilho grandioso...

Elas nos lembram claramente a beleza de tudo o que existe, mas de tão encantados, queremos ficar presos a elas para sempre, nos agarramos pois achamos que toda a verdadeira beleza é parte delas, esquecemos que elas são apenas parte de tudo o que é belo, e de que estamos cercados de cores e brilhos fabulosos, por toda a parte.

Catherine sorriu envergonhada, sem saber o que dizer...

Disfarçou, perguntando timidamente o preço de algumas pratarias antigas, olhou pela vitrine, a chuva ainda não havia parado, mas achou melhor sair...

Pois os pés para fora e sentiu novamente o vento frio cortar seu rosto, as gotas ,agora  mais suaves, molhavam sua pele... Sentiu a sensação de estar completa outra vez...

O frio e a chuva eram mais ,ou igualmente tão belos ,quanto o calor e os dias de sol.

Lembrou-se das palavras do homem e sorriu.

 

 

O dia em que Eliberto tentou fugir.


Eliberto nasceu prematuro de sete meses, com o cordão umbilical enrolado no pescoço...
Os pais do garoto decidiram que se a criança sobrevivesse receberia o nome de Eliberto, que simbolizaria a liberdade.
"O liberto”, na verdade o pai queria batizá-lo assim, mas a mãe achou que a letra "E" no lugar da letra “O” soaria melhor. O pai não discutiu e hoje Eliberto já é homem feito, mas apesar do belo nome, não se considera um homem livre.
Se sente escravo do seu emprego mecânico e de sua rotina maçante, se sente preso pelo cordão umbilical da mãe sociedade, em meio a um punhado de regras que ele não inventou.

Hoje Eliberto pensou em fugir e dar finalmente seu grito de liberdade, mas lembrou-se das crenças dos pais as quais fora submetido a acreditar durante toda a sua infância...
Havia um homem sentado em alguma nuvem lá no alto, que tudo podia ver...E este homem (chamavam-no de Deus), tinha leis, com punições severas para quem as desrespeitasse.

Fugir do emprego só dependia dele, poderia ser mais fácil se ele tivesse juntado algumas economias...
Fugir da sociedade ele não tinha idéia de como fazer, mas pensava não ser algo impossível...
Mas como fugir de olhos tão grandes, que estão por toda a parte?

Eliberto começa a achar que é impossível ser realmente liberto,
Pensou que talvez esse não fosse realmente seu destino...
Mas espera aí!Um homem livre é comandado por seu destino?
Isso não faria dele um homem preso a correntes invisíveis?
Ah, aquela letra "O" agora faria toda a diferença...
Eliberto estava prestes a desistir.
Sentou-se em uma calçada qualquer, e pensou por horas e horas, até chegar a uma conclusão aparentemente óbvia...
Ele não sabia o que era liberdade...
Mas de uma coisa ele tinha certeza, independente do que isso fosse, ele sabia que não era coisa que pudesse ser alcançada por aqui, por este mundo.
Eliberto achava que liberdade era transcendente, era coisa que só podia estar em algum lugar lá fora.



"Caminhando e cantando e seguindo a canção."

Bom dia!

 

  Uma voz ecoa em minha mente,ordenando: Levante! Já é hora!

Com os olhos semi-serrados recebo os meus primeiros feixes da manhã...

Abandono com calma o sonho da noite, pra logo sonhar o dia, meu dia!

A casa ainda não tem café, mas posso sentir o perfume forte vindo da casa ao lado...

Ouço a voz arranhada da minha irmã pelo ar, ela costuma cantar quando acorda feliz!

Por aqui é tudo muito simples,tem leite esquentando, borbulhando na leiteira e uma rede na varanda, pra dormir a família inteira!

Não tenho muito a oferecer a quem chega, apenas um sorriso sincero e um pouco do que realmente sou.

Não uso máscaras, pra que eu não me arrependa depois...

 

Seja quem for, ofereço minhas mãos...

E dividiremos o mesmo caminho colorido, de um mesmo dia.

 

Amanheça!

 

                      

Apelo ao desconhecido.
Diga uma palavra que eu ainda não conheça
e um desenho que eu não saiba fazer
dai-me um  pedaço de um doce fruto
do que é novo pra eu conhecer...
Diga uma musica bonita...
ou um filme que mude minha vida
recite um verso ,uma rima...
só não vá partir antes de se repartir
deixe de ti ao menos uma parte ,pequena que seja,
mas parte...
algum sorriso pra eu nunca esquecer.

Quando tudo fica vazio aqui dentro
E eu sentada em meio ao nada
No branco
No invisível
Espero aflita um feixe de pensamento que seja

Qualquer janela aberta é uma válvula de escape
No vazio sinto-me parte de nada
mas quando vem o vento
ah,aquele vento
vento de janela escancarada
Olho pro colorido e clamo:

"Vem vento, faz-me sentir parte de alguma coisa...

Parte do frio pelo menos,

cansei de ser janela fechada,

parte enterrada em qualquer lembrança

que já não mais serve de nada!"

 

 

 

Até tocar o céu.

 

 Lembro-me daquele dia como se fosse ontem, eu queria subir bem alto, foi o senhor céu que me chamou...

Estava mais azul e mais convidativo do que nunca, as nuvens se abraçavam gordinhas no ar...

Era lindo, era lindo! Eu queria tanto poder tocá-las, peguei uma escada velha que meu pai guardava no porão, montei-a no quintal e comecei a subir...

A cada passo que eu dava, era um estalo na madeira e outro no coração, estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe...

Subi, subi até que cheguei ao ultimo degrau.

Era o fim da linha e eu não podia alcançar ainda, mas só faltava um pouquinho, um pouquinho...

Lembrei-me então!

Se eu abrir minhas asas, posso voar como os passarinhos...

Mas onde é que elas estão?

Foi quando pude ver...

Eram azuis e bem grandes...

Eu estava pronta...

Fechei os olhos e por um momento senti meu peito inflar de felicidade

Era hora! Eu ia voar e então poderia tocar o céu... Meu amigo céu.

Mas não cheguei a dar um passo a frente, minha mãe gritou:

“Meninaaaaaaaa! Você vai caair! Não tem asas, não pode voar!”.

 Desse dia em diante, eu nunca mais tentei tocar o céu...

Minhas asas sumiram e eu não podia mais voar.

Muitas outras crianças ainda conseguiam, mas eu? Eu não...

Eu nunca mais acreditei que fosse capaz...

Comecei então a odiar com todas as minhas forças a gravidade e a desejar cada dia mais abraçar meu amigo céu.

 

A Garota estrela e o sonho do mundo real.

 

   A Garota Estrela podia brilhar no céu real, mas teimosa como era, optou por brilhar no mundo dos sonhos, onde todo o céu era coberto por nuvenzinhas de ilusão... O que tornava seu trabalho uma tarefa bem mais difícil, já que pra fazer sorrir o pessoal lá em baixo, ela precisaria mandar seus feixes de luz por entre todas aquelas nuvens escuras.

 

  O povo no mundo dos sonhos é todo ele encantado e como já diz o nome, se encantam... E encantam com qualquer raiozinho de luz. O lado ruim disso é que como qualquer encanto facilmente é quebrado, a Garota estrelinha era obrigada a usar de toda a sua luz para conquistá-los de novo a cada fim de noite.

 

Muito tempo se passou e a Garota estrelinha quase nem brilhava mais de tão fraquinha.

“Aaaah! Como eram caros aqueles sorrisos!” _ Reclamava.

Eram tão inconstantes que não renovavam nela todo o seu brilho.

 A Estrelinha precisava dos sorrisos apaixonados que só encontrava lá no céu real...

 É difícil brilhar em meio a tanta nuvem de ilusão... O povo encantado não tem culpa, mas só se apaixonam pela metade e a Estrelinha queria ser ela por inteira.

 Decidida, a Garota estrela pulou!

E foi um pulo tão alto,

                     mas tão alto...

                            

Que ela caiu de cabeça no mundo real...

E a primeira coisa que viu quando chegou, foi o maior sorriso do mundo, de um moço que sozinho observava o céu.

O moço ficou tão apaixonado, que deu a ela um presente...

Deu a ela um novo nome...

Chamou-a Estrela Cadente.

 

Águas de lá .

 

O cheiro de água na terra, o barulho das gotas no vidro...

Guardo-me no conforto onde é quente e seguro,

mas min’alma dança nas gotas

Águas de norte e sul

Brincando de vida nas poças,

Ser o sereno

Lavar meu pior

Renovar-me, ser eu...

Completa de água da chuva
Pensamentos soltos , idéias sem compromisso.

Idealizamos as pessoas pelas suas boas idéias, esquecemos que são de carne e osso e pele e coração... Não feitas de ferro!

Quando enxergamos nelas todas as fraquezas de um ser comum, jogamos suas idéias fora... Como se ser apenas humano ,fosse algum crime mortal.

Sou tão humana que teu coração exato me atrai .

Tudo é uma linha reta
uma linha reta com um marcador de ponto final
somos obrigados a chegar até esse ponto
e não podemos nem parar pelo meio do caminho

pra tomarmos um sol ou comermos alguns cookies
porque logo atrás vem o trator do destino

que nos empurra e não nos deixa ficar

com a pena de sermos esmagados

continuamos o caminho...

até que caímos pra sempre

na escuridão do ponto final.

 

 

_Samir G. e Anitha R.

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